Computação Cognitiva (IA) no processo de seleção

Sérgio Viegas

Em palestra realizada no evento Somos+Q1 (#+Q1), promovido pela Universidade Una no final de 2017, falamos de um futuro real para a área de RH focando o processo de recrutamento e seleção. Aqui vai um resumo da mesma:

Perspectivas:  Abordamos dois cenários futuros:

Cenário 1 – Trabalho remoto, por jobs, temporário, denominado pela Accenture de Mão de Obra Líquida.

Cenário 2 – Sem trabalho. Mostramos números que mostram a redução do tempo de trabalho atual no mundo (E a tendência de redução, baseada na série histórica do passado). Como este abaixo da OECD que nos leva a 20h semanais de trabalho até 2100:

Apresentamos alguns trabalhos que tendem e precisam desaparecer do mundo em que vivemos, e mais importante, que EMPREGO é um subitem de TRABALHO. As pessoas querem e precisam de trabalho e não de empregos, o que pode nos levar à Renda Básica Universal.

Comentamos sobre a Inteligência Artificial e os empregos em risco, mas focando no que realmente vai ocorrer, a substituição de tarefas que fazemos por IA mas não perda de empregos generalizada.

Na verdade é a IA que permitirá a divisão do trabalho futuro em tarefas (M.O. Líquida) com robôs e humanos trabalhando conjuntamente para uma produtividade e qualidade de vida melhor.

A Computação Cognitiva foi apresentada na figura do IBM WATSON, que tem capacidade de entender a linguagem natural, adaptar e aprender com dados e gerar e avaliar hipóteses.

Cenário 1

Enfim chegamos ao ponto do processo de seleção ser abordado. Esse, para se adaptar ao futuro, precisa ser digital, rápido e adaptado à M.O. líquida. O processo de seleção atual consiste de uma forma geral em:

  1. Plataforma de vagas e curriculos
  2. Receber, ler e fazer a triagem dos CV´s
  3. Conversar com candidatos, analisar perfil e efetuar uma avaliação técnica
  4. Escolher melhor candidato x perfil da vaga

O fato hoje é que praticamente toda a parte operacional acima já pode ser feita de forma digital, sem ou com pouco envolvimento de pessoas. Vejamos:

  1. Existem diversas plataformas de vagas e Cv´s como por exemplo o Linkedin. Algumas já permitem o match entre vaga e perfil.
  2. Com a IA conseguimos treinar o Watson a ler currículos de forma absurdamente rápida, já tirando deles (dados não estruturados) itens como: nome, idade, empresas que trabalhou, onde estudou, cargos que ocupou, etc. Com estes dados (agora) estruturados conseguimos separar os CV´s que se adequam em um primeiro filtro à vaga. Importante aqui é que, diferentemente do ser humano, conseguimos ler TODOS os CV´s, não apenas os mais “bonitos”, ou mais “bem estruturados” da triagem inicial. Abaixo um exemplo genérico que mostra como o treinamento é feito no WKS do Watson:
  3. Com Bots (robôs de conversação com IA) conseguimos conversar com TODOS os candidatos selecionados nos filtros. Podemos nesta conversa inicial perguntar sobre pretensão salarial, pedir mais dados de competências, enfim, a entrevista inicial pode ser feita remotamente, bem como perguntas técnicas e direcionar para links com provas técnicas preparadas. Abaixo um exemplo:
  4. Com o Personality Insights (API do Watson), é possível fazer o que a maioria acharia impossível fazer sem um ser humano. Com esta solução conseguimos ter um perfil psicológico completo, através de psicolinguística, que possibilita fazer o match vaga x perfil em segundos. O texto a ser analisado pode ser o próprio CV do candidato, ou um texto escrito por ele que pode ser carregado em uma página WEB ou ainda via acesso a rede social dele (Ex: Twitter). Enfim, um processo rápido e de qualidade que gera informações como esta abaixo, com necessidades, valores e o BIG 5 do candidato:

Portanto um processo completo como este abaixo de Seleção já pode ser automatizado, entrando o ser humano ao fim do processo para uma entrevista pessoal ou para ajustar questões que podem ocorrer durante o processo todo:

Daí vem a pergunta: Não seria o fim deste emprego? Não. É a partir desta automatização de tarefas previsíveis, que exigem alta coleta e processamento de dados que o profissional de RH poderá atuar no que realmente deveria.

Tarefas previsíveis, com alta coleta de dados e alto processamento de dados, devem e serão substituídas por robôs !

Com tanto trabalho braçal, repetitivo e de alto esforço humano (Ex: Ler todos os cv´s com atenção) o profissional de RH deixa de fazer coisas mais importantes como:

  1. Engajamento: Acompanhar os valores e objetivos do negócio e de seus colaboradores para engajar cada vez mais as pessoas no trabalho.
  2. Resultados: Acompanhar os resultados (Pós-contratação) de forma efetiva, diária e podendo assim levar aumento de produtividade para as pessoas e para a organização.

    Bem e em relação ao cenário 2? Aquele sem empregos?

O cenário 2, sem empregos, pode ser um cenário não de falta ou devastação, mas de abundância! Um possível futuro em que a humanidade não tenha que vir “a trabalho”, mas que possa usufruir de toda uma bonança e qualidade de vida, advinda da produtividade mundial aumentada pela IA e robôs. O que fariam?

Artes, lazer, música, filosofia, cultura, esporte, são algumas possibilidades, mas como o homem pode QUERER trabalhar (E deve), startups, especialistas, criação, inovação, enfim, existe uma imensa possibilidade de trabalhos que o homem poderá continuar exercendo, afinal, o futuro dependerá de nossas decisões e ações !

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